Saturday, December 10, 2005


Que saudades da Primavera. Que saudades do nosso futuro. Na Primavera. Já sabíamos que era para sempre. Já sabemos há tanto tempo tanta coisa. E, contudo, fomos hesitando e errando pelo caminho. Somos o exemplo para os que perderam a esperança. Quando tudo se tornava estranho, intragável, a vida a correr devagar, sem calor, sem perdões. Lutei para ser forte e não me arrependo. E preciso de muito pouco. Quero lá saber se me acham piegas, se acham que não me entendem, se formulam opiniões cerebrais sobre isto. Estou livre, percebem?
Que saudades do Verão. Os passos lentos, a respiração que pede água, os beijos que fazem chocar os óculos de sol, os desejos satisfeitos ali mesmo, no carro, na praia, antes e depois do banho, o trânsito que não nos pode incomodar, o infernal Algarve transformado em paraíso tropical porque somos nós que estamos ali. Os quilómetros que parecem metros, tudo a passar muito depressa.
As primeiras folhas secas no chão.
E nós insistimos que ainda é Verão. Não sentes, o calor, não vês, as saias, a pele à mostra.
Que saudades do Outono. Poucas obrigações, vida prática adiada, passeios ao sol quente, música no carro ao sabor dos meus caprichos que tu partilhas. A nossa sensação de arrepio, porque estamos mesmo ali e queremos escolher um caminho. A dois. Como nunca antes nada. Quando eu me atrapalho, vens em meu socorro. Quando a tua mente se enreda, sopro-te a simplicidade. O amor. Os dois, somos dois, já vos disse?
O frio repentino, um aniversário, prazo de uma existência que começou agora a cumprir-se.
Temos de aceitar o Inverno. Teremos saudades do Inverno. Porque na distância
somos um
e na palma da tua mão os meus lábios sopram-te segredos que mais ninguém.

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