Tuesday, December 06, 2005

Do Intraduzível

Venho da rua, o frio ficou do lado de lá da porta. Entro em casa e nada me aquece, nada me conforta, apesar dos esforços. O ar lá de fora é irrespirável, amor. Corrijo-me, todo o ar é pesado e irrespirável e isto não é apenas uma metáfora. Durmo apenas o essencial e quando acordo, fico muito tempo debaixo dos cobertores a esquecer-me que não vais estar lá e que não te vejo e que nada vejo. São estes dias que me doem, dias sem equilíbrio, em que pareço tropeçar em tudo como a Tereza d’A Insustentável Leveza do Ser. Falamos ao telefone e até discutimos por razões inúteis, para tudo acabar num suspiro e novas declarações de _ _ _ _. Tenho segredos contigo, eu que sempre tive segredos meus e que nunca os soube partilhar. Eu nunca soube partilhar senão o superficial. Tu és o meu essencial, o meu profundo sentir, a minha pele, a minha alma.
Não existe conforto na saudade.

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